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:: Entrevista

 

 

Kelly conta um pouco de sua história de vida. Confira!

 
 


Entrevista feita por Álvaro Parisi e
compilada por Christina Domene

Habilidade e visão de jogo são atributos conhecidos pelos torcedores das equipes em que Clesly Evandro Guimarães, o "Kelly", jogou. Mas estas não suas únicas características conhecidas. Hoje com 27 anos, ele passou por todas as dificuldades que um atleta brasileiro passa. No meio de uma tremenda falta de grana e de perspectivas, aprendeu que entregar-se a Jesus é o única trilha que realmente tem valor. Por isso Kelly é reconhecido como um atleta de Cristo exemplar dentro e fora de campo. Por onde vai, ele fica conhecido pela sua simplicidade e humildade Hoje ele atua no futebol japonês e está feliz. Confira os lances deste testemunho de persistência, fé e milagres.


Álvaro Parisi: Como foi o seu início de carreira?
Kelly: Eu Comecei a jogar no Bragantino em 1991, com 15 anos. Desde juvenil tive boas participações na equipe. No último ano de juvenil fui muito bem numa taça São Paulo, marcando 7 gols. Em 1993 me profissionalizei. Também neste ano comecei a participar de reuniões de Atletas de Cristo na concentração do Bragantino. Eu tinha vivido no pecado e vi a necessidade de aceitar a Jesus Cristo, de ter meus pecados perdoados. Costumo dizer que este foi o gol de placa que mudou minha vida. Nesta época eu já era casado, tinha um filho pequeno e passei muitas dificuldades, porque fique um bom tempo sem receber. Cheguei a vender uma camisa de jogo por R$ 10,00 para comprar leite para meu filho. Aprendi a crescer na dependência de Deus. Hoje sei que é importante confiar n’Ele. No Campeonato Brasileiro de 1995, tive um destaque e fiz 11 gols. Vários times se interessaram pelo meu futebol.

AP: Por que você não saiu do Bragantino?
Kelly: Estamos debaixo da vontade soberana de Deus. Fiquei ansioso, mas hoje entendo que Deus não permitiu que eu saísse de lá pois não era o momento.

AP: Depois disso você foi para a Espanha...
Kelly: Fui emprestado para o Logrones da Espanha com 19 anos. Foi muito bom, apesar de não ter jogado muito por lá, pois tive dificuldades. Voltei bastante maduro.


AP: Como foi a sua volta?
Kelly: Foi complicado. Passei pelo Flamengo, tive problemas de contrato e fiquei sete meses sem jogar e sem receber. Foi um tempo de amadurecimento do meu relacionamento com Deus. Aprendi a reconhecer que não conseguimos nada sem Deus. Até que o Atlético Paranaense me comprou.

AP: Nesta época você teve uma experiência com Deus...
Kelly: Eu estava na Espanha com a delegação do Flamengo e minha esposa me ligou dizendo que nosso filho Mateus, na época com 2 anos, estava com uma tosse alérgica, e que o médico havia dito que, se continuasse, ele poderia sufocar-se. Se isso acontecesse eles teriam que perfurar a garganta dele para liberar a respiração. Comecei a orar. Fiquei uma boa parte da madrugada orando. De manhã liguei para o Brasil para ter notícias, e minha esposa disse que ele havia acordado sem mais nada e dizendo: Jesus me curou!. E realmente Jesus o havia curado. Foi uma experiência e tanto.

AP: Como foi sua passagem pelo Atlético Paranaense?
Kelly: O primeiro ano foi difícil. Eu não jogava há 7 meses, estava sem condição de jogo, ainda tive uma contusão e passei por uma cirurgia. Vivi algumas humilhações: quiseram me fui emprestar de graça e tive que rebaixar meu salário. Mas Deus permitiu que eu ficasse lá mesmo jogando pouco. Nosso time foi campeão paranaense. No segundo ano me firmei como titular. Fomos quatro vezes campeões, e a torcida reconheceu meu trabalho, dando-me um carinho enorme. Fui valorizado por meu trabalho.

AP: Como era o grupo de Atletas de Cristo em Curitiba nessa época?
Kelly: Era um trabalho muito forte. Tive uma assistência muito boa. O Hildo Zuge, que faleceu há dois anos, foi uma pessoa que me ajudou bastante com sua dedicação na obra. Ele se importava com os jogadores. Não tínhamos tempo para ir a igreja, mas fazíamos reuniões muito proveitosas. Muitas pessoas aceitaram a Jesus em Curitiba. Uma coisa importante é que Atletas de Cristo não prega nada além de Jesus Cristo vivo; não se fala em denominação nem religião. Outra coisa importante é o apoio dado aos jogadores. Muitas pessoas se aproximam de nós por interesse. Precisamos de pessoas que nos dêem respaldo e ensinem a Palavra de Deus. Atletas de Cristo têm pessoas assim.


AP: Qual o segredo para se viver uma vida abençoada?
Kelly: É tão simples... Está escrito em Mateus 6:33: Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e as outras coisas serão acrescentadas. No meio do futebol, como na vida, somos tentados a buscar os prazeres momentâneos. Quando fazemos isso só obtemos derrotas. Mas quando buscamos Jesus em primeiro lugar, praticando o amor, dedicando-nos à obra de Deus, entregando-nos a Ele, as coisas funcionam.

AP: Uma lição importante para você...
Kelly: As reuniões que fazíamos na época do Bragantino marcaram muito a minha vida. Em algumas tínhamos várias pessoas; em outras, duas ou três. Eu achava que algumas pessoas não estavam muito interessadas em ouvir a Palavra de Deus. Anos depois eu as encontrei firmes com Deus. Aprendi que sempre vale a pena semear a Palavra.

AP: E sua família?
Kelly: Este é o tesouro que Deus me deu. Amo minha família, minha esposa. Temos o Mateus,  e a Sara, presentes de Deus. Estou como Davi: O que darei ao Senhor por todos os benefícios que me tem feito? Só posso dar ao Senhor a minha vida, servindo a Ele e fazendo o que Lhe agrada.

AP: Como é sua vida no Japão?
Kelly: O meu time é o F.C. Tokio, que acabou de subir para a primeira divisão e está crescendo. Fui por empréstimo e, depois de 6 meses, eles compraram o meu passe. Este é meu segundo ano e tenho jogado bem. A única dificuldade é a questão cultural. As coisas são bem diferentes das do Brasil, mas temos nos dado bem. Estamos sempre na igreja.

AP: Um recado...
Kelly: Na vida a gente tem que ter objetivos centrados na vontade de Deus. As pessoas querem paz, e por quererem essa paz acabam buscando-a em lugares errados. Sabemos que esta paz só existe em Jesus Cristo. Se buscarmos nossos objetivos n’Ele, conquistaremos grandes vitórias.

 
































































































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